Doações de órgãos – 3

A doação de órgãos é um tema polêmico que envolve muitos setores da sociedade. ONGs e Associações ajudam na captação de doadores que estejam dispostos a ajudar outras vidas com seu sangue, tecido ou, até mesmo, seus órgãos. Em relação à última, existem no Brasil cerca de 12 mil situações de morte encefálica por ano, mas apenas 5 mil delas chegam ao conhecimento das centrais de transplante. É o que conta o diretor executivo do Instituto Adote (Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos), Rafael Paim, em uma entrevista para o Portal Mais Cidadania.

Mais Cidadania: Como é o trabalho desenvolvido pela Adote na doação de sangue e de órgãos?
Rafael: Na doação de órgãos atua no sentido de promover mudanças de atitudes e valores na sociedade e Estado para preservar e melhorar a vida. Para tal, realiza palestras em escolas e outros centros comunitários, faz atendimento pela internet, tirando dúvidas dos usuários, orienta monografias de graduação e outros trabalhos escolares, publica artigos em jornais, dá entrevistas, faz pesquisas, assessora comissões de transplantes, provê informações para imprensa, desenvolve trabalhos sociais e outras ações que promovam o desenvolvimento da cultura e técnica de doação de órgãos e tecidos.

Mais Cidadania: Na sua opinião, por que ainda há poucas pessoas que doam órgãos?
Rafael: O que não faltam doadores, o que falta é doação. Apesar de ainda existir falta de informação, as pessoas terem medo do desconhecido, acreditarem em mitos, o maior problema parece residir mesmo é na efetivação das doações. No Brasil se espera que haja em torno de 12 mil situações de morte encefálica por ano. Apenas cerca de cinco mil chegam ao conhecimento das centrais de transplante. Se não há notificação, a família não pode ser consultada, logo não há chances do processo evoluir para a doação, captação, distribuição e transplante dos órgãos. Em síntese, a possibilidade de salvar vidas é interrompida.

Mais Cidadania: A divulgação das doações é feita de maneira apropriada no Brasil?
Rafael: Ainda não. Precisamos divulgar a importância de ser doador, que muitas pessoas precisam de uma chance de ter uma qualidade de vida melhor ou sobreviver por meio de um transplante. Este trabalho, entretanto, precisa ser contínuo. As campanhas são importantes, mas seu efeito dura enquanto está no ar. Poucas conseguem um resultado sustentado. Há especial necessidade de centrar as campanhas para o público de profissionais de saúde. Há uma grande carência de informação, formação e recursos para que estes profissionais se envolvam efetivamente com a doação.

Mais Cidadania: Na sua opinião, faltam doadores ou equipes preparadas para fazer a captação dos órgãos?
Rafael: Os dois, mas certamente, há mais carência de equipes e equipamentos. Infelizmente ainda não temos a cultura da doação de órgãos arraigada em todos os segmentos da sociedade, especialmente entre os profissionais de saúde. Por isso, quando se tem um possível doador, faltam profissionais para a realização dos diagnósticos, manutenção do potencial doador e captação dos órgãos.

Mais Cidadania: Como surgiu a Adote?
Rafael: Já faz 10 anos. Surgiu como homenagem a um familiar que faleceu na fila de transplante após uma espera de quase seis meses. 30 dias antes de seu falecimento foi lançado um site para divulgar a questão do processo doação-transplante que resultou na criação da ONG. Em 2005, a Adote incorporou o Doeação, criado no Rio de Janeiro, com história semelhante. A Adote deu toda a assistência ao Doeação e hoje os trabalhos são em conjunto. O Doeação virou uma undiade da Adote com foco em bebês e crianças e a Adote tem atenção para todas as faixas etárias. Atualmente a Adote tem unidades no Rio Grande do SUL, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.

Mais Cidadania: Por que algumas pessoas têm resistência a doar órgãos?
Rafael: Na maioria dos casos por desinformação e desconhecimento. Por exemplo, são praticamente nulas as religiões contra a doação. Além disso, algumas pessoas têm receio do comércio de órgãos. Há que se entender que a possibilidade de comércio, apesar de existir, é muito, mas muito, remota. São mais de 30 profissionais envolvidos em um processo de doação e transplantes de órgãos. Deveria ser uma imensa quadrilha para que isso fosse possível. No Brasil houve casos confirmados de comércio, mas é importante saber que foram comercializações aprovadas pelos doadores. As pessoas venderam conscientemente seus rins. Cabe informar também que o seqüestro para transplante é quase impossível. A quantidade de médicos para verificar a compatibilidade entre doador e receptor torna essa possibilidade muito baixa ou mesmo nula.

Mais Cidadania: Como funciona a “logística” da demanda e oferta de órgãos e tecidos?Como se tornar um doador?
Rafael: Quando alguém entra em situação de morte encefálica em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) este diagnóstico precisa de declarado por dois médicos sendo um neurologista ou neurocirurgião. A partir daí, uma Comissão Intra Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para transplantes (CIHDOTT) existente em todos os hospitais com mais de 80 leitos, assume o controle do processo, faz a consulta a família e faz o contato com a Central de Transplante sob sua jurisdição. Esta Central é quem define para quem irão os órgãos que serão captados, depois de rigorosos testes de compatibilidade genética entre doador e receptores. Podem ser de 8 a 300 receptores. Definido isso, equipes transplantadoras entra em cena para a captação dos órgãos e realização dos transplantes. O processo todo dura entre 24 e 72 horas.

Mais Cidadania: Qualquer um pode ser doador de órgãos?
Rafael: A doação pressupõe critérios mínimos de seleção. Idade, o diagnóstico que levou à morte clínica e tipo sangüíneo são itens estudados do provável doador para saber se há receptor compatível. Não existe restrição absoluta à doação de órgãos a não ser para aidéticos e pessoas com doenças infecciosas ativas. Em geral, fumantes não são doadores de pulmão.

Mais Cidadania: Como as pessoas físicas podem ajudar a Adote?
Rafael: Adquirindo o livro “Esperando um Coração – Doação de Órgãos e Transplantes no Brasil”, cujos direitos autorais pertencem à ADOTE, associando-se à ADOTE e colaborando com um valor mensal, sugerindo e participando de ações de captação de recursos para a manutenção da instituição, adquirindo nossas camisetas e divulgando a ADOTE e a sua missão.
Retirado de: http://www.metodista.br/maiscidadania/educacao/doacao-de-orgaos-uma-atitude-cidada/

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